terça-feira, 7 de julho de 2015

Pico Paraná de ataque

Após passar um feriadão de 4 dias de tempo bom, sem uma nuvem, temperatura amena, em casa uivando para as montanhas resolvi fazer uma caminhada mais hard, pra lavar (e cansar) a alma.
Escolhi ir ao Pico Paraná, ponto culminante do sul do Brasil e considerada uma caminhada pesada. Apesar da pequena distância (+/- 9km) a trilha percorre um sobe e desce bem intenso na serra do Ibitiraquire, o que a torna bem cansativa. A ideia era ir até o PP, e se desse tempo e as pernas aguentassem, esticar até o Ibitirati, montanha nunca alcançada por mim. Também seria meu retorno ao PP, quinze anos depois da minha última ascensão, em janeiro de 2000.
Como a caminha é pesada, cansativa, e eu queria ir rápido (pra tentar o Ibirirati) convidei apenas gente que desse conta do recado. A maioria já tinha compromissos, e acabou sobrando eu, Natália e Matias.
Saímos cedo num domingo que prometia tempo bom, estava frio e sem chances de chuva. Chegamos na fazenda do Dílson , fizemos o cadastro e começamos a caminhada 7:20hs. Segundo o Dílson, de ataque levaríamos +/- 5 horas pra subir e 4 horas pra descer. Pensei comigo, precisamos ser mais rápido se quisermos ir ao Ibitirati.
A trilha está bem fácil de ser seguida e bem barrenta, uma valeta. Não tem como errar, só seguir o trilho mais profundo. Subimos o Getúlio, também conhecido como morro da desistência, por ser logo no início e bem íngreme, o pessoal que não está preparado física e psicologicamente para por ali.
Logo chegamos numa das partes mais bonitas da trilha, a caminhada pelos campos de altitude entre o Getúlio e o Amarilis, aonde se descortina toda serra: bem na nossa frente o Caratuva com o Itapiroca logo a sua direita, a direita deste, pro sul, Tucum, Camapuã e Camacuã. Ao norte, a esquerda do Caratuva, Taipabuçu, Ferraria, Ferreiro e Guaricana.
Ao fundo a Serra do Capivari

Caratuva e Itapiroca

A caminhada continua em direção ao Caratuva, vamos passar pelo selado entre ele e o Itapiroca. Na bica cimentada pegamos água e comemos alguma coisa. Continuamos a caminhada pelas raízes da encosta do Caratuva, parte bem cansativa da trilha.
Logo passamos pela sela (ligação entre duas montanhas), aonde se inicia a subida pro Itapiroca, à direita. Continuamos na trilha principal, para nosso destino que se encontra ainda distante, umas duas horas de caminhada, talvez mais.
Bosque das Fadas

Primeira janela pro PP

Quando saímos da floresta temos a primeira visão do gigante! Montanha linda, uma das mais belas que conheço. O PP está bem a nossa frente, com o União e Ibitirati colado nele. Para o sul temos o Cerro Verde, Luar, Siri, Ciririca, com a baía de Antonina ao fundo.
Ibitirati, União e PP



Conjunto Ibeteruçu: Ibitirati, União, PP e Camelos. O Tupipiá está escondido atrás do PP 

Ciririca

O tempo está ótimo, céu azul, nem quente nem frio, apenas algumas nuvens começam a surgir. Continuamos até o A1 (área de camping situada bem em frente ao PP), aonde paramos para alguns cliques e logo seguimos para a parte dos grampos. Este trecho é uma descida acentuada, por uma crista muito bonita, mas que me faz lembrar que na volta será uma subida bem chatinha...
Chegamos nos grampos bem na hora que uma turma está descendo. Subimos rapidamente para não precisar esperar eles descerem. Mais pra cima encontramos o Papael descendo com a Ana Wanke, vida de guia de montanha não é fácil...
Continuamos a subida, passamos pelo A2 (área de camping mais próxima do cume, e última antes dele) sem pegar água, pois tínhamos coletado no rio perto do A1. Bem nessa hora começa a se aproximar uma nuvem. Continuamos a subida, passamos pelo falso cume, que enganou a Natália direitinho (e engana todo mundo pela primeira vez). A caminhada neste trecho exige certa atenção, pois a trilha já não é tão evidente assim, pois caminhamos por cima das pedras. Existem algumas marcações, mas com nevoeiro, uma pessoa que nunca foi pra lá pode ter alguma dificuldade. Aliás é neste trecho que aconteceu a maioria das mortes no PP, as pessoas se perdem no nevoeiro, à noite, e acabam seguindo trilhas falsas que terminam nos desfiladeiros, pois caminhamos pela crista da montanha.


Falso cume, PP e Tupipiá



Cume!!!

União e Ibitirati, vistos do PP

Baía de Antonina

Quando finalmente chegamos no cume à nuvem chegou junto... 12:20 hs fincamos o pé no cume, exatas 5:00 hs de caminhada. A falta de visual, o cansaço e o horário adiantado nos faz desistir do Ibitirati. Vou ter que bolar um jeito de conquistar essa montanha...
Almoçamos, descansamos, tomamos um suco, tiramos fotos, e quando olhamos no relógio já se passaram uma hora, temos que voltar.
Iniciamos a descida, e claro, assim que deixamos o cume a nuvem também... A descida é tranquila, até chegarmos aos grampos. Logo após a descida encontramos uma menina que resolveu aguardar seus colegas que estavam subindo, pois não teve coragem de subir os grampos. Ela nos pediu para descer conosco, e descobrimos que era amiga do Matias, frequentadora da PIB Curitiba, nossa igreja. Selma se junta a nós, o que acabou atrasando nossa descida.
Descendo...

...pela crista

Taipabuçu e Ferraria

Aqui cabe um parêntese: segundo a Selma, seus amigos se prontificaram a voltar com ela, ou mais alguém aguardar o resto do pessoal voltar, não deixando ela sozinha. Segundo ela, foi por insistência dela que todos subiram. Ela também não conhecia a trilha, e tinha pouca experiência em montanha, tendo subido apenas Anhangava e Canal, montanhas bem menores e menos exigentes que o PP. NUNCA devemos deixar alguém sozinho na montanha, por mais que possa parecer tranquilo, esta é uma regra primordial de segurança.
Nossa descida foi em 6 horas, chegamos 19:20 hs na fazenda. Selma foi de arrasto, sofreu bastante e com certeza aprendeu que deve-se conhecer aquilo que se pretende fazer. O PP não é uma trilha impossível, que só profissionais ou montanhistas ultra-mega-blasters podem fazer, mas precisa de muita resistência física e psicológica. Apesar de ter levado lanterna Selma ficou com muito medo de fazer a parte final da trilha no escuro, seu cansaço a fazia praticamente sentar para descer um simples degrau, precisando de ajuda o tempo todo. Seus colegas chegaram na fazenda 22:00hs...
E foi assim mais um domingo de montanha, natureza e contato direto com o Criador. Que nos proporcionou visuais fantásticos, o prazer da companhia dos amigos, poder ajudar os que precisam, e pernas doídas por três dias.

Próxima!!!

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