terça-feira, 9 de junho de 2015

Janela da Conceição - maio 2015

Durante a semana recebo o convite para uma empreitada inédita para mim, ir a Janela da Conceição, túnel escavado na década de 50 para a construção da Usina Hidrelétrica Parigot de Souza, em Antonina, litoral paranaense.
O local é cheio de história e bem conhecido dos aventureiros paranaenses. Um túnel de 1300 metros escavado nas encostas da serra do Ibitiraquire, conhecida pelo ponto culminante do sul do Brasil, o Pico Paraná, e outras montanhas igualmente majestosas.
Num domingo cinzento embarcamos eu, Natália, Zeca, Wilson, Hadassa, João, Maicon e Vinicius, rumo ao Bairro Alto, localidade de Antonina aonde se inicia a trilha. Na verdade a trilha é uma antiga estrada de serviço construída pela Companhia Elétrica Paranaense durante a construção da usina Parigot de Souza. Com o desuso virou uma trilha relativamente fácil de ser percorrida, pelo seu baixo aclive.
No caminho temos a primeira visão da face leste da serra do Ibiritaquire, onde estão PP, União, Ibiritati, Camelo , Tupipiá, Cerro Verde, Luar, Ciri, Ciririca e Agudos. A manhã está limpa e o sol da manhã cria uma iluminação perfeita para as fotos.



Numa das paradas para os cliques avistamos um animal diferente, e quando passamos por ele notamos que é um animal selvagem que caminha pela estrada. Paramos e vamos lentamente em direção a ele tirando várias fotos: era um Cachorro do Mato filhote, que com a aproximação foge para a mata.



Chegamos ao Bairro Alto, e o calçamento acaba numa pequena praça, dali seguimos até a fazenda aonde se inicia a trilha. Deixamos o carro baixo e o João leva uma parte do pessoal com seu jipe de luxo até a ponte partida. Eu, Zeca e Vinicius seguimos pela estrada precária (só carro tracionado sobe) a pé até o João desembarcar o pessoal lá no alto e voltar para nos buscar mais ou menos na metade do caminho. Isso nos economizou uma meia hora de pernada.


Grupo reunido novamente iniciamos a caminhada atravessando a ponte que está em ruínas, mas que ainda recebe algum tipo de manutenção pelo pessoal da Copel que utiliza a trilha para fazer a manutenção das torres de alta tensão.
A caminhada é tranquila, apesar do barro e água. Aliás, muito barro. É neste barro que vimos duas pegadas do que achamos ser de onça, os especialistas que nos ajudem. Isso mostra que o local é bem preservado, haja vista que uma bichana foi fotografada na RPPN Salto do Morato, em Guaraqueçaba, município vizinho de Antonina e pro mesmo lado que estamos.


O tempo fecha, a trilha também, em certos momentos é necessário o uso do GPS para achar o rumo. Chegamos até a cachoeira dos Cabos, e ao passar por baixo de um cabo de aço a trilha some de vez. Seguimos umas marcas vermelhas nas árvores, mas ela nos leva pra longe do caminho correto, nos diz o GPS. Achamos que estas marcas devam ser do pessoal da Copel para achar as torres.

Voltamos e pegamos o rumo certo, agora sem trilha, no facão e GPS. Mas a estrada ainda é visível no meio da floresta. Vamos seguindo os vestígios até chegarmos à ponte de treliça, escondida dentro do mato, estamos perto. Daqui pra frente vamos seguindo as indicações do GPS, e as construções feitas pela obra da Copel até acharmos a janela, que de janela não tem nada.




Um portão de ferro guarda o túnel escava na rocha. Ligamos as lanternas, e começamos a caminhada dos 1300 metros até o final da “janela”. Morcegos ficam incomodados com nossa presença e ficam nos rodeando, mas apenas no começo do túnel. Depois de uma pequena caminhada com direito a um “lava pés” bem gelado chegamos ao final do túnel.
Atrás da escotilha fica o túnel que leva a água da represa do Capivari, ao lado da BR 116 no primeiro planalto paranaense até a usina no litoral, em Antonina, totalmente escavado por baixo da serra do Ibitiraquire, uma obra de engenharia espetacular.




Muitos cliques depois começamos a volta, que é feita pelo mesmo caminho. Chegamos na fazenda perto das 17:00 hs, colocamos uma roupa limpa, beliscamos alguma coisa e quando começa a escurecer iniciamos o caminho de volta para casa. Não sem antes comer um pastel gordurento em São João da Graciosa.

E mais uma carimbada no caderninho, Janela da conceição!!!

Um comentário:

  1. Boa companheiros!
    Essa pernada é sempre bem molhada e barrenta, mas sempre um show!
    Parabéns!

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