segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Anhangava, Dia da Montanha Limpa 21/9/2014


Atividade conjunta dos clubes AMC - Associação Montanhistas de Cristo, CPM - clube Paranaense de Montanhismo e Marumby Montanhismo

O tempo colaborou e tivemos sol o dia todo. Como choveram em dias anteriores teríamos uma mostra bastante prática de onde intervir com drenos principalmente. Tínhamos material, contingente de pessoas mobilizadas e disposição.

O ponto de encontro foi às 8h30 no Estacionamento do Júlio, O Baitacão, em uma das 3 entradas do Campo Escola de Montanha Anhangava.

Tivemos um reforço extra de alunos do curso de Biologia da UFRS, que vieram visitar a Serra do Mar Paranaense. Estes subiram pela trilha principal junto com o pessoal do IAP, Juarez, Joel e Harvey e 5.13, Rossana e Daniele e deixaram tábuas próximo a Pedra do Almoço (metade do caminho para o cume).









Enquanto estes alunos subiam o pessoal ia chegando e por volta de 9h nos reunimos e dividimos as tarefas.

- ‘Tabuada” em direção a zona do cume pela Trila do Samambaia junto com “pedrágio” até trilha acima sem local definido para armazenamento. As pedras que foram transportadas foram doadas em 2012 pela Prefeitura Municipal de Quatro Barras. O pedrágio foi para encher de pedras algumas contenções de tábuas que ainda precisavam de pedras. Algumas foram levadas para a parte úmida entre no vale do Samambaia (ante-cume do Anhangava).

- Remoção de pichações pela Trilha principal até o cume com uso de removedor de tinta pastoso, o qual tem se mostrado mais eficiente que tinners e solventes.

- Trabalho de contenções entre o Samambaia e Anhangava, principalmente no cume do Anhangava
- Drenos e reforço de drenos da Trilha do Samambaia
- Fechamento de trilhas no cume (que levavam a mesmos lugares)
- Corpo a corpo com os visitantes incentivando a participação no mutirão! Orientamos as pessoas entrarem no Grupo do CPM no facebook e curtirem as páginas do CPM e AMC.
- Pedrágio desde as ruínas da Capela no cume do Anhangava até a pedra do Incas e baixada para o Samambaia. As pedras foram super aproveitadas na zona do cume, descida do Incas e início da descida para o Samambaia.

Em todos os casos foram retirados lixo, principalmente na zona do cume por conta de acampamentos sem consciência ambiental. Não há lixo significativo hoje na região do Anhangava, mas existem. Em geral temos muito lixo de banheiro e fezes humanas não enterradas...Precisamos de mais orientação no trailer do IAP!

Para os que chegaram depois ainda puderam ajudar baldeando as tábuas da Pedra do Almoço, deixadas pelos alunos da UFRS, até o cume!

Tivemos a participação de mais de 100 pessoas no mutirão entre montanhistas independentes e ligadas as associações locais. Cada um fez a diferença. Ocorreram muitas adesões de visitantes que não sabiam do mutirão.

Agradecemos as doações de tábuas e estacas conseguidas pelo Otávio da AMC, as doações de materiais para remoção de pichações pelos alunos do Vitor Hugo do CPM, as tábuas doadas pelo Fábio pela Associação de Moradores do Anhangava, ao Lucio canteiro da Borda do Campo que picou os pedrões das ruína da antiga Capela do cume do Anhangava e ao Julio do Baitacão que nos ajudou com a logística de base orientando as pessoas que iam chegando sobre o mutirão e suas tarefas.

Conseguimos trabalhar nos pontos mais críticos e agora ainda restam caliça e algumas pedras para baldear das ruínas da Capela para a baixada do Incas (talvez para próximo do cume tbm). Deixamos algumas tábuas e estacas armazenadas próximo ao cume. Importante o uso do saco de ração para baldear caliça! Ficou também para uma próxima uma força tarefa para corte e anelamento de pinus na montanha!

Simone Rodrigues


ANTES


































DEPOIS


































































quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Travessia Petrópolis-Teresópolis


Conhecida como uma das mais belas travessias de montanha do Brasil, a Petro-Tere como é carinhosamente conhecida faz parte do conjunto de trilhas do Parque Nacional Serra dos Órgãos, e fica localizado na serra fluminense entre Petrópolis, Teresópolis e Guaramirim. O parque (criado em 1939) tem a maior rede de trilhas do Brasil (130km), sendo que a principal e mais conhecida é a Petro-Tere, com 30 km de extensão.
Resolvemos fazer a travessia de forma clássica: em três dias e no sentido Petrópolis – Teresópolis. Em três dias porque ela pode ser feita em dois por pessoas com bom preparo, mas não tínhamos pressa e queríamos curtir as montanhas sem atropelo. E no sentido Petrópolis – Teresópolis porque assim teríamos o conjunto formado pela Pedra do Sino, Garrafão, Dedo de Deus, Escalavrado, etc...  a nossa frente durante a caminhada.
Como nenhum de nós nunca tinha ficado num abrigo de montanha (Otávio, Edinaldo, Daniel, Rafael e Luis), e para ir mais leve resolvemos dormir dentro dos abrigos Açu e Sino, evitando carregar barraca, fogareiro, panelas, prato e talheres. Os abrigos tem estrutura completa, até com banho quente (que não rolou no Açu devido ao grande número de pessoas e a falta de água), cozinha, beliches e quarto para bivaque. Quem preferir pode acampar com sua própria barraca ou alugar uma tenda do abrigo. Tudo isso é feito através do site www.parnaso.tur.br, aonde paga-se as taxas referentes à entrada, trilha, banho, cama, etc... Sendo uma das trilhas mais conhecidas e concorridas do Brasil é bom fazer sua reserva com antecedência.



Reserva feita, mochila pronta, pé na estrada!!! Saímos de Curitiba sábado 15:00 hs de ônibus sentido São Paulo. Fizemos uma logística diferente, se fossemos de ônibus direto Curitiba-Rio de Janeiro chegaríamos na capital fluminense somente 10:00 hs da manhã, e precisávamos estar em Petrópolis 7:00 hs pra começar a trilha às 9:00 hs e não correr o risco de pegar o final da trilha a noite. Chegamos em SP 21:00 hs e 23:00 hs embarcávamos para o Rio. Chegamos na cidade maravilhosa 5:00 hs, e logo embarcamos para Petrópolis, chegando lá 7:00 hs conforme o planejado.
Seguimos da rodoviária para o Terminal Correas, e em seguida embarcamos no ônibus Pinheiral que nos deixou a 500 metros da portaria Petrópolis. Demos entrada no parque, apresentamos nossas reservas pagas, ajustamos as mochilas, pegamos água, e um pouco antes das 10:00 hs já estávamos na trilha. Seguimos pela mata, por dentro do vale, apreciando as belas montanhas ao nosso redor. Passamos pela Pedra do Queijo e Ajax, pontos de parada para descanso e lanche. Logo após o Ajax começa a subida da Isabeloca, muito comentada mas que não achamos nenhuma dificuldade extra. Uma subida forte, porém curta, e logo estamos nos chapadões do Açu, caminhando pela crista das montanhas, com uma bela vista da cidade do Rio de Janeiro do lado direito e de Petrópolis e suas montanhas do lado esquerdo.




Já são 17:00 hs e a neblina (lá conhecida como russo) começa a baixar (ou seria subir?), e a visibilidade diminui muito. Começamos a seguir o GPS quando chegamos nos Castelos do Açu, formação rochosa belíssima no cume da montanha homônima. Ficamos um pouco perdidos pela falta de visibilidade, mas logo achamos a trilha que segue para o abrigo, a 200 m do Castelo.
Ao chegar fazemos “cheque in” (coisa chique pra montanha hein?) e vamos nos trocar e preparar a janta. O lugar está bem cheio, entre pessoal dentro do abrigo e os acampados devia ter umas 40 pessoas. Somos informados que não vai ter banho pela falta d’água (na verdade falta de luz para bombear a água), e que precisamos economizar o precioso líquido na cozinha e banheiros. Na noite anterior ventou forte na montanha e algumas barracas não aguentaram. O pessoal do abrigo, numa atitude legal, recebeu este pessoal na sala e sacada do abrigo, mesmo com lotação completa. Preparamos a famosa polenta campeira e vamos nos recolher em nosso bivaque. O abrigo possui dois quartos com beliches, dois banheiros, cozinha e sala no andar inferior e dois quartos no andar superior, um para o bivaque e outro para o staff do abrigo. Noite fria com neblina e garoa, chegamos a cogitar em abortar a missão caso o tempo estivesse ruim no dia seguinte...





Mas na segunda o tempo amanhece bom, nublado mas com algumas aberturas, e vai melhorando... promissor. Tomamos café da manhã, fotografamos o Castelo agora que podemos vê-lo, ensacamos as tralhas e vamo que vamo!!! Após o primeiro dia de trilha, que consiste em subir pro Açu, o segundo dia é o mais cênico: caminhar pelas cumeadas em direção da Pedra do Sino. O tempo vai abrindo, as nuvens sumindo, e temos um dia agradável de caminhada, num dos mais belos lugares do Brasil. Pode não ser a mais bela trilha de montanha do Brasil, mas perde pra pouquíssimas, se é que perde... A caminhada leva o dia inteiro num ritmo bem tranquilo, com muitas paradas para fotos. Passamos pelos famigerados elevador e cavalinho na boa, nada demais para gente forjada no Marumbi e Ibitiraquire. No final da tarde chegamos ao abrigo 4, ou Sino, deixamos nossas tralhas lá e vamos subir a Pedra do Sino para ver o por do sol, espetáculo maravilhoso da criação. Após o por do sol voltamos pro abrigo para um banho quente (agora sim!) e um delicioso purê de batata com carne de sol.  A estrutura do abrigo Sino é igual a do Açu, subimos e armamos nosso bivaque. Depois da janta ficamos batendo papo com o pessoal do abrigo, a maioria gente de Teresópolis que subiu apenas pro Sino e voltariam no dia seguinte. Fazendo a travessia apenas nós, o “nosso amigo” Erasmo, carioca de Belo Horizonte e que nos fez companhia durante o segundo e terceiro dia, e duas meninas de São Paulo acompanhadas de um guia local.







No terceiro e último dia temos a descida pra Teresópolis, trilha dentro da mata e sem muito visual, apenas algumas janelas com vista para as montanhas da região. Logo estamos na portaria Teresópolis aguardando o resgate que negociamos na portaria Petrópolis com um figura que estava por lá levando gente pra montanha. A volta é com emoção, com o cara mais louco que já vi dirigindo...
Depois de um belo almoço num restaurante do centro da cidade, um banho no abrigo que Ivo, o Maluco tem em sua casa, seguimos pra rodoviária. Foi com emoção, mas valeu a pena!
Pegamos o ônibus pro Rio com “nosso amigo” Erasmo bem na hora do jogo BrasilxAlemanha, o que ajudou a não ter trânsito na cidade. Chegando na rodoviária Daniel, Edinaldo e Rafael voltaram pra Curitiba, Erasmo seguiu para sua casa na cidade maravilhosa e eu e Delfrate seguimos pro Caparaó!!!!! Mas isso é outra história...








Otávio