domingo, 31 de agosto de 2014

Semana da Montanha 2014 - Ponta do Tigre

Em comemoração ao aniversário de 135 anos da conquista do Marumbi por Joaquim Olímpio “Carmeliano” de Miranda, e como atividade da Semana de Montanha 2014, a Associação Montanhistas de Cristo participou no domingo 24/8 da subida a Ponta do Tigre, cume que faz parte do Conjunto Marumbi.
Nos encontramos com o pessoal na estação 8:30 hs, tiramos algumas fotos, batemos papo com o pessoal do clube Paranaense de Montanhismo que subiriam o Olimpo e iniciamos nossa caminhada.



A subida a Ponta do Tigre se dá pela trilha noroeste, o que foi muito bom, pois como o dia estava quente e com muito sol aproveitamos a sombra que a trilha nos proporciona, diferente da trilha frontal que dá acesso ao Olimpo.
Caminhada tranquila, divertida e um pouco cansativa em virtude do calor. Encontramos vários grupos subindo para Abrolhos e para a caminhada do conjunto Marumbi, subindo pela noroeste e descendo pela frontal.



Depois de muitos cliques e comermos um bolo de cenoura (afinal era um aniversário, e aniversário tem que ter bolo!) iniciamos a descida. Na volta o pessoal quis conhecer a Esfinge e subimos ao seu cume também.
A descida foi tranquila, demos uma passada no QG do CPM e revemos velhos amigos, fomos até a casa do nosso companheiro e irmão Giancarlo Cover e acabamos filando um macarrão com molho de tomate e banana verde que estava uma delícia!!! A futura mamãe Soraia mandou super bem...
E foi assim mais um dia na “montanha azul”, lugar abençoado aonde se iniciou o montanhismo brasileiro, e que fica aqui no nosso quintal.









Parabéns aos que participaram deste dia na montanha, e também a todos que organizaram a Semana da Montanha 2014, evento que certamente marcou a cidade de Morretes.  Que venha a Semana da montanha 2015!!!



Otávio Luiz

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Travessia Araçatuba Monte Crista


19 a 22 de junho de 2014 – feriado de Corpus Christi

Integrantes: Zeca, Serginho, Cover e João
Por Zeca reinert
Há três anos quando fiz a primeira travessia Araçatuba Monte Crista, a fascinação e a admiração pela beleza cênica do lugar foram tanta que disse pra mim mesmo que repetiria esta travessia uma vez por ano, pois esta sem dúvida é a mais bonita do Paraná. Infelizmente não foi possível por condições climáticas e/ou por falta de tempo devido a tantas outras atividades na montanha que temos ano a ano. Só agora em 2014 conseguimos voltar, sendo a minha segunda vez, a primeira do Serginho, e do João e a segunda do Cover que fez há uns oito anos atrás. Tínhamos combinado há uns meses atrás e o grupo seria de pelo menos uns oito integrantes, porém por problemas diversos, só conseguimos reunir quatro pessoas, todos da Associação dos Montanhistas de Cristo.



1º Dia: A princípio como éramos apenas em quatro, optamos por ir com o meu carro, onde o Wilson nos levaria até a base do Araçatuba e nos resgataria em Garuva no domingo, porém o Serginho entrou em contato com o Guilherme que tem uma Kombi e este não tendo outros compromissos, aceito nos levar e nos resgatar após o término da travessia, o que facilitou as coisas.
Foi combinado a saída da minha casa, onde o João deixou o carro e seguimos de Kombi até o Atuba para apanhar o Serginho. O Cover acabou indo até a entrada do Matulão com o seu próprio carro, pois sua esposa Soraia iria viajar até o litoral Catarinense na casa de sua mãe e aproveitaram para irem juntos. Após nos despedirmos da Soraia, partimos do Matulão até a base do Araçatuba para inicio da travessia.
Iniciamos a caminhada próximo das 09 horas, com o tempo ainda fechado, mas com breves brechas de raios de sol, o que nos deixou esperançosos. Aparentemente só nós estávamos realizando a travessia, pois o outro grupo que intencionava fazer acabou desistindo devido a instabilidades climáticas. Este grupo era os amigos do C.P.M. Na subida ao Araçatuba vimos que um grupo grande de escoteiros subiam atrás, vindo bem lentamente. Chegamos ao cume com um vento relativamente forte, muito nevoeiro e um frio cortante. Eu ainda tentando entender o GPS que acabara de comprar e aprendendo a operar ele com algumas dicas recebidas do Wilson. Logo chegaram os meninos escoteiros o que fez o cume ficar bem povoado. Como era próximo do meio dia, almoçamos no cume e logo seguimos sentido morro Baleia e Moréia, sendo este último o destino do primeiro pernoite. O visual era quase zero e mesmo com o GPS acabamos passando do ponto de entrada para o vale que culmina na base do Baleia, mas retornamos uns 10 minutos e encontramos a entrada, a qual eu logo reconheci da travessia de 2011. O Cover levou um mapa cartográfico que utilizou da sua primeira travessia e juntando com as coordenadas que o GPS fornecia, foi muito útil, principalmente nesta parte que o nevoeiro era denso impedindo a visibilidade. O “Inferno Verde I”, que transpõe o vale até a base do Moréia é um vara mato bem denso, mas estava bem mais fácil transpor que na travessia de 2011, com poucos pontos em que foi necessário abrir a trilha com os facões. Chegamos à base do Baleia, onde há um marco geodésico e seguimos em frente para não chegar ao Moréia à noite.





A subida ao Baleia, apesar de cansativo devido às cargueiras carregadas foi relativamente fácil, porém o visual continuava o mesmo, com cada vez menos chances de abertura. Algumas consultas na carta do Cover e nas coordenadas do GPS nos certificamos que estávamos no trajeto correto, seguimos em direção ao Moréia.
Depois de algum tempo chegamos próximo à base do Moréia, e a subida era bastante íngreme, tendo o Serginho e João pego a Crista, e eu e o Cover atacamos pela lateral subindo através das curvas de níveis, o que nos cansou bastante. Vencido o desafio da subida, chegamos ao cume no final da tarde, hora que já exigia a montagem das barracas evitando o escuro da noite. Logo a escuridão veio e as barracas montadas uma de frente para outra possibilitou a armação de uma lona entre elas, onde improvisamos a cozinha, abrigada do vento e do frio cortante. Visual noturno zerado, e após uma janta reforçada com bastante carboidrato, nos deitamos para a necessária reposição das energias para o dia seguinte.




2º dia: Acordamos com a luz do dia, e abrindo o zíper das barracas com a esperança de ver o raiar do sol fazendo o costumeiro espetáculo nas curvas das montanhas, mas não foi desta vez, pois continuava a neblina, mesmo o vento tendo diminuído um pouco.
Desmontado o acampamento, depois de consultado a carta e o GPS, seguimos direção sul pelos belos campos da Serra do Quiriri. O lugar é de fato muito bonito e alguns ensaios de abertura nos animaram com o visual de belas paisagens, mesmo que num misto de nuvens cinza e céu azul. Atravessamos alguns campos até chegar ao temido “Inferno Verde II”. Existe um atalho utilizado por alguns montanhistas pela “Confloresta”, que economiza bastante tempo e energia, mas tira um pouco da emoção da travessia. Resolvemos como da outra travessia, transpor o vara mato de bambus e galhos, mas como estávamos num lugar alto, dava para ver que o “Inferno Verde”, estava bem menor, onde foi aberto uma estradinha para corte de pinus, e que dividia o vara mato ao meio. Entramos na mata, que permanece fechada, obrigando-nos a dar muitos golpes de facão, até a estradinha aberta pelos mateiros, e a partir dali, vimos que não era necessário mais seguir pelo mato, pois a tal estradinha desembocava na estrada principal que era destino de nossa passagem. Após a estrada havia uma grande colina a transpor, boa parte coberta pelos pinus. Chegando à estrada principal, tomamos outra menor que leva até uma cachoeira média de um rio já meio assoreado. Não há residências na região, que aliás, é muito bonita, mas a ação dos desmatadores e plantadores de pinus foram cruéis com a natureza. O caminho para a chegada à cachoeira que antes era por uma plantação de pinus, agora, depois do corte das árvores, era por troncos cortados e galhos caídos, que misturados com o mato se tornou um lugar ruim de andar e perigoso, pois pode esconder serpentes. Chegamos à cachoeira pouco além do meio dia. Fizemos a pausa para o almoço, um descanso, algumas fotos e partimos para atacar a grande colina de Pinus. Após atravessar um bosque de pinus e galhos, chegamos a outra estrada onde alguns trabalhadores da extração de pinus estavam com seus tratores e máquinas destruidoras. Conversamos com um camarada que nos indicou iniciar a subida um pouco mais para oeste, onde havia uma estradinha abandonada que subia parte do morro e seria mais fácil a ascensão. Era uma subida bastante íngreme, mas logo a estrada acabou e tivemos que encarar o morro sepenteando por pedras e troncos de pinus cortados. É uma subida extremamente íngreme e somado ao peso das cargueiras nos exigia um esforço enorme. O Serginho e o João ficaram admirados com tamanha inclinação que tivemos que transpor. Mais acima parecia que tinha uma outra picada aberta e seria o final da subida, mas ao chegar vimos que apesar da inclinação ter diminuído, tínhamos um bom tanto a subir. Caminhamos pela picada aberta por tratores, onde a água escorria criando grandes erosões no terreno. Incrível o poder de destruição do homem.





Finalmente chegamos ao topo e por consequência na entrada da floresta de pinus que nos levaria até o outro lado numa espécie de vale onde inicia-se uma estrada em razoáveis condições que serpenteia todo o grande vale e atravessa parte da serra do Imbira. Agora a estrada inicia uma grande descida até o fundo do grande vale, passando por um rio razoavelmente grande (Rio negro?), onde nos abastecemos de água e descansamos por alguns minutos, pois a partir dali era subida longa e muito íngreme novamente, só que sem sair da estrada. Andamos algumas horas, até que o sol se pôs e a subida não acabava, ficando cada vez mais íngreme e exaustiva. Finalmente, já noite, chegamos ao local do acampamento, que fica na entrada de uma floresta de pinus já rala por causa do corte. A intenção era pernoitar bem na entrada da floresta, mas estava com barro devido a chuva de dias anteriores, então voltamos alguns metros e armamos o acampamento no leito da pequena estrada.
Como ninguém é de ferro, enquanto o Cover e Serginho armavam as barracas, eu e o João preparamos o jantar. Improvisamos a cozinha nuns troncos de pinus caídos e fizemos uma janta digna de montanha. Eu fiz o meu tradicional macarrão pene com calabresa e molho de tomate, e o João fez uma espécie de purê de batata com carne seca. E olha, a comida ficou boa mesmo, comemos bastante e com gosto.  Mais tarde foi a hora de repor as energias para o dia seguinte. Acordei no meio da noite com um frio de lascar, coloquei mais uma calça e um anorak, mas o frio continuou. Descobri que como acampamos no leito da estrada, a terra transmite muito frio e umidade. Os outros pouco perceberam pois tinham isolante inflável e o frio não passou.





3º dia: Acordamos antes da sete horas, onde o sol ensaiava vencer as nuvens, dando-nos novo animo e esperança de tempo mais aberto que os dias anteriores. Deu até pra secar alguns equipamentos. Saimos para mais um dia de caminhada, antes das 9 horas da manhã, com sol intercalado em nuvens, sempre acompanhados de um vento bem gelado. Seguimos a estrada dos mateiros até por uns 40 minutos até a entrada da Serra do Quiriri. Agora a caminhada ficaria mais fácil, pois os campos de altitude são bem melhores de andar. Logo chegamos na bela nascente do Rio Negro, onde nos reabastecemos de água e seguimos em direção ao morro Bradador. A caminhada nesta parte da serra é recompensada pela belas paisagens da região, mesmo tendo a presença de muitas nuvens que limitavam a visão e o vento gelado. Sobe morro, desce morro, atravessa charco, riacho, e a caminhada rendia muito bem. Num descampado próximo a uma capão de mato avistamos uma rebanho de búfalos, que se viraram para nós e pareciam nos observar atentamente. Mais tarde olhei pra frente e vi os búfalos correndo em nossa direção... tomei um baita susto, e comecei a correr, até que o Serginho me avisou que eles estavam correndo de um pessoal que vinham em direção contrária e tinha uma cerca de arame farpado logo a frente. Era um grupo catarinense que estava acampado no morro Padre Raulino e seguiam de ataque até a Pedra da Divisa. Continuamos a caminhada até a base do Bradador, onde demos uma parada para o almoço e logo iniciamos a subida ao morro, que é forte, mas bem rápida. Logo deixamos o Bradador pela sinuosa trilha que leva até o lago da Fazenda Quiriri, o capim é alto e dificulta a caminhada, mas logo deixamos o lago pra trás subindo a crista de um morro onde a trilha continua pelo sul. Depois de mais algumas horas passamos pela Pedra do Lagarto e mais adiante no cume do Igrejinha, onde encontramos dois catarinenses acampados. Já era final de tarde e a noite chegaria em poucos minutos, mas resolvemos seguir a trilha por mais algum tempo, até achar um campo plano pra acampar. Andamos no máximo meia hora, e como a neblina estava forte, sem nada de visual e a noite chegando, montamos acampamento num pequeno vale ao lado de um riacho que corre sobre rochas, o que aliás foi bem útil para nós.
Novamente armamos as barracas de frente para a outra e uma lona unindo as duas serviu de cobertura para a cozinha. Mais uma vez fizemos uma janta reforçada e saborosa.



4º dia: No dia seguinte o tempo deu uma discreta melhora, e partimos para o último trecho da travessia. A trilha a partir dali é bem visível e fácil permitindo que a velocidade fosse aumentada. As nuvens alternavam com o sol, mas o meio visual que pegamos mostrava mais uma vez a beleza da natureza entre as montanhas. Depois de algum tempo começamos a avistar o Monte Crista envolvido nas nuvens, com poucas aberturas. Logo chegamos no cruzo que leva ao cume do Crista, e como as aberturas aumentaram, resolvemos ataca-lo. A paisagem do cume é deslumbrante, como sempre nos da a sensação de estarmos  no topo do mundo. Muitas fotos para registrar o grande momento e iniciamos a descida, que apesar de ser o trecho final, é muito demorado. Mais de 3 horas de descida que parecia interminável. Finalmente chegamos ao rio Monte Crista e já era mais de 4 horas da tarde. Atravessamos o rio, mais adiante o outro com a ponte pencil, e finalmente o término da travessia. O Guilherme nos aguardava com a Kombi, para alegria geral da galera.
Mais uma travessia concluída com sucesso, e apesar do tempo não ter colaborado suficientemente, foi bastante prazerosa, com muita espírito de companheirismo por parte dos quatro “combatentes”. Todos muito cansados mas com a sensação de dever cumprido. Esta travessia que consideramos a mais bonita do Paraná certamente nos aguardará para novas edições e preferencialmente com tempo totalmente aberto.

Julho de 2014. Zeca, Cover, Serginho e João