quarta-feira, 29 de agosto de 2012

5 Cumes - Edição especial - noivado na montanha

Agora a melhor parte... separei o relato do Ciririca por um motivo muito especial...
Foi nesta montanha que Wilson e Hadassa começaram uma história, um história que tem a mão de Deus.

Ciririca por Wilson

Antes de escrever o que aconteceu nesta expedição tenho que contar um pouco da minha historia....
Há alguns anos atrás me converti na Igreja Bola de Neve, aqui em Curitiba, onde estou até hoje, lugar que considero minha casa. Nesse período depois da conversão, conheci um pessoal da Primeira Igreja Batista de Curitiba (PIB), que possui um ministério chamado Montanhistas de Cristo. Como já praticava montanhismo desde 2005, resolvi fazer uma visita nas reuniões no inicio de 2009, onde me identifiquei com as pessoas legais e logo comecei a participar de diversas atividades com o grupo.
Na metade do ano de 2010, conheci uma garota muito bonita que foi nos visitar em uma reunião, com um ar de secretaria CDF chamou a minha atenção. Não conversamos aquele dia, mas alguma coisa mexeu comigo... Algum tempo depois em uma atividade para o Ciririca, conversando com o Otávio, ele me passou o nome da menina: Hadassa! Gravei na cabeça e fui procurá-la nas redes sociais, onde conversamos bastante.
Depois de conversas virtuais nos conhecemos em outra atividade da AMC, desta vez no Morro do Canal, foi a primeira vez que conversamos pessoalmente. Um tempo depois a convidei para assistir um culto na Bola de Neve, onde sua irmã também tinha interesse de conhecer. Depois dessa visita ela começou a frequentar a Bola, e conversávamos direto.
Em Abril de 2011, realizamos a nossa primeira travessia juntos Ciririca por cima, com mais 4 amigos. Neste role foi aonde Deus me revelou de cada detalhe que tinha pedido em oração para encontrar em uma mulher para estar ao meu lado, e tudo eu via nela... Pedi pra namorar com ela no Morro do Canal, 07 de maio de 2011, pois lá foi a primeira montanha que fizemos juntos. Antes do evento dos 5 cumes desse ano, já estava pensando em pedir a Hadassa em casamento, mas teria que ser alguma maneira diferente. Em oração me veio lembranças de nossa historia, e pensei no nosso primeiro role por conta juntos: o Ciririca. Como o evento estava próximo, decidi que o pedido seria em cima da Placa do Ciririca.
13/07/12
Decidimos ir para o Ciririca logo na sexta feira, pois iríamos por cima, um trajeto mais longo, porém com mais visuais. Na primeira noite acampamos no cume do Tucum. Chegamos por volta da uma hora da manha em um frio de 0°c, estávamos eu a Hadassa, Zeca, Caue, Rafael e Sandro. A Subida foi tranquila mais o vento gelado incomodava bastante, com o frio e já bem tarde, ninguém se empolgou em fazer uma janta, todos foram se esconder do frio dentro de seus sacos de dormir.
Acordamos cedo, pois tínhamos um longo caminho pela frente, mas logo ao sair da barraca encontramos um maravilhoso nascer do sol, que espanta qualquer frio, e nos animamos para a caminha puxada que seria naquele dia. Tomamos café e já fomos acomodando tudo dentro das mochilas. Menos o Rafael, que na noite anterior já tinha decidido ficar por ali e esperar o grupo do Tucum... Logo após o café já estávamos descendo a pirambeira rumo ao Luar, a partir dai começa o teste de paciência de andar com as mochilas cargueiras enroscando a cada passo. Paramos para descansar um pouco no cume do Luar e logo na descida conseguimos contato via radio com o pessoal que estava vindo por baixo: Luiz, Brusa e Karina. Fomos informados por eles que tinha uma multidão se encaminhando por baixo, foi quando nos apressamos para passar o Ciri e chegar à Ultima chance, o que deixou todo mundo bem cansado.
Quem estava menos cansando saiu na frente, e tentar conseguir um lugar bom para passar a noite, ficando eu e a Hadassa fechando o Grupo, subimos o Ciririca em passos bem lentos, mas no final da tarde chegamos ao Cume aonde se encontrava bastantes pessoas. Fizemos algumas logísticas nas barracas para nos acomodar aquela noite.
Já no final da tarde, chegando o pôr do Sol, convidei a Hadassa para subir na placa, ela não sabia do pedido e nem desconfiava. Fomos subindo devagar e com cuidado. Já no alto da placa, eu muito nervoso, já não lembrava nada do que tinha ensaiado falar naquele momento, fui enrolando: “Então, nossa historia”.... “Então viemos ate aqui”... “Então...” “Então...” Até que tirei a caixinha com as alianças do bolso e pedi para ela se casar comigo. Naquele momento ela colocou a mão no rosto e foi dizendo vários “não acredito”, “não acredito”... Meu coração só voltou a bater quando escutei de sua voz suave – “Claro que quero”... \o/...\o/. Curtimos o por do sol maravilhoso desse lugar tão alucinante, em um dia que vai ficar marcado pra sempre em nossas vidas.
Dormíamos tranquilos, até quando começou a chover bem de leve na madrugada, mas logo que clareou todos saíram das barracas e se arrumaram para a volta. Foi uma longa caminhada de volta para a fazenda da Bolinha, chegamos cansados e molhados, mas felizes. A Hadassa ainda dizendo: “não acredito”... “não acredito”...
Finalizamos esse evento na churrascaria do Tio Doca, onde nos encontramos com o restante do pessoal que estava fazendo parte também do evento da AMC, nas outras 4 montanhas.
Agradecimentos:
Primeiramente a Deus, o único que tem que ser glorificado por todas as maravilhas que tem nos proporcionado. Ele que nos mostra os caminhos que devemos seguir e transformando o nosso caráter...
Ao Thomas Ostermayer E Sua Esposa Ingrid, por estarem seguindo a vontade de Deus em suas vidas pagando o preço para ficar a frente desse ministério. Somos frutos desse esforço que fazem, muito obrigado. Agradecemos também aos demais presidentes que já passaram pela AMC.
E aos diversos parceiros de Montanha \o/ \o/

Wilson Rulka Ceslak
Hadassa de Matos Martins (Ceslak rs)



"Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher,E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.". (Marcos 10:7-9)

5 cumes - Edição especial - 10 anos

A AMC todo ano promove o Projeto 5 cumes, que consiste em formar 5 equipes e subir simultaneamente PP, Caratuva, Ferraria, Tucum e Ciririca.
Este projeto é realizado desde 2002, portanto está de aniversário, 10 anos!!! Data importante, a ser comemorada.
Mas não é apenas por isso que esta é uma edição espeical (não desmerecendo 10 anos de 5 Cumes), e por isso este relato será dividido em dois, um 4 cumes e outro...
Agradeço aos colegas Getúlio, Maicon, Wilson, Ingrid e Cida pelos relatos, valeu!!!

Caratuva por Ingrid

Saímos de Curitiba por volta das 09:30 de sábado, Thomas, lilian, eu, Caroline, Christian, Ingo, Siegrid, Marcos, Matias, Tato e seus 2 filhos.
Ao chegarmos na fazenda Pico Paraná nos deparamos com tantos carros estacionados que tivemos de parar em fila dupla. O lugar estava lotado, na lista que preenchemos a maioria das pessoas pretendia ir ao PP, o que nos deixou animados de que conseguiríamos um bom lugar pra acampar no Caratuva.
Começamos a subir 10:30. Almoçamos no Getúlio e buscamos água, ainda antes da subida final, na bica em direção ao PP. O Thomas foi abrindo caminho no bambuzal com seu super facão. Estávamos com muitos novatos, uma parte se saiu muito bem, outros tiveram um pouco mais de dificuldade, de modo que chegamos ao topo do Caratuva 7 horas depois, às 17:30 e pudemos apreciar o finzinho do sol que ainda coloria de dourado tudo em volta e as pontas mais altas do PP.
Terminamos de montar todas as barracas quando já havia escurecido. Ficou bastante frio, mas o céu estava estrelado e rendeu algumas boas fotos. Jantamos, nos enchemos de roupa e fomos dormir.
Durante a noite tive a sensação de chovia, o que me deixou um pouco preocupada pois contava tirar fotos ao amanhecer. Tivemos muitas rajadas de vento, que sempre faziam barulho nas antenas antes mesmo de nós sentirmos as barracas balançando.
Infelizmente ao amanhecer percebemos que estávamos no meio de uma nuvem úmida, que de vez em quando, trazia consigo rajadas de chuva. Tomamos café, ainda na esperança de que a nuvem iria embora, mas ela não deu sinais de que desapareceria. Assim, começamos a desmontar acampamento. Levamos bem menos tempo na descida e fizemos um lanchinho novamente no Getúlio. Lá encontramos o Fill, que também fez uma parada estratégica pra uma boquinha.
Descemos e chegamos lá embaixo por volta das 15:30, ficamos um pouco ali pela fazenda mesmo e depois fomos ao Tio Doca.
No fim do dia de domingo encontramos os vários grupos e comemoramos os aniversários do Soraia, Thomas e PP.
A subida foi cansativa, mas o visual deu gostinho de quero-mais... da próxima vez, quem sabe, com um belo visual no nascer do sol.
Abraços

Ferraria por Cida

Eu Cida, Evelin, Luize, Fabio, Soraia, Gean ( cover), Turquinho e Fill nos encontramos as 8 horas do dia 14 de julho na chacara do Dilson, (graças ao Matias que me deu carona) rsrs, para subir em direçao ao Ferraria. Encontramos muitas dificuldades, porem tivemos muitas emoções, a trilha até onde divide PP e caratuva todos conhecem , mas é onde tudo começa , pegamos a trilha sentido Taipa, ja ali no riozinho paramos para um rapido lanche e encher as garrafas pois dali pra frente nao sabia o que nos aguardava ,,rsrs
A trilha começa bem tranquila com muitas folhas e muito fofa, parecia se fizesse um buraco cairiamos numa ribanceira , rsrs. O Fill é muito guerreiro, com sua dificuldades aguentava firme cada trecho difícil da trilha, atravessamos uns pântanos tudo fechado e úmido , grandes arvores caídas nas trilhas, alguns lugares fechado, que mal podíamos passar, imagine de mochila cargueira . Estávamos bem equipados com bastante agua e comida , porem depois da entrada caratuva só achamos mais um ponto de agua um pouco antes de chegar no cume do Ferraria, e olha que já era no meio da tarde. Na trilha, pude observar alguns detalhes da natureza, apreciei os passaros cantando, coisa que nao ouvimos quando queremos chegar logo, rsrs, tirei fotos de um ninho de cogumelos brancos , "coisa linda e perfeita em cima de um tronco caído", engraçado foi que eu vi , umas 5 arvores que se entrelaçavam , elas tinham crescido e uma passava entre os galhos das outras, um fenomeno.
É lindo quando se vai devagar na trilha, dá pra observar muitas coisas. Chegando perto do cume do taipa, um subida infinita e fechada, mais bem gostosa. Fill e Turquim acamparam no Taipa, eu e o restante seguimos rumo ao Ferraria, conhecemos mais 3 parceiros de Maringá que nos acompanharam. Descendo o taipa com grande dificuldade e mato fechado, Cover desbravando com seu facaozinhu ,, aff .rsrs. E alguns momentos revessavam o facão , trilha bem cansativa de sobe e desce, altos escorregoes , tombos; a galera reclamava e ria ao mesmo tempo , amar a montanha é sofrer sem sentir dor .rsrs.
Demoramos o dia todo até chegar no cume, e finalmente realizei meu sonho de 3 anos aff que sensaçao de poder, de satisfação, um estase total. O céu estava tão estrelado que cheguei ver 3 estrelas cadentes, ficamos horas contando historia , "de montanha é claro" rsrs e fizemos um jantar de mestre, com 3 rodadas, uma de sopa pra esquentar e aquela sopaaa rsrs com salsicha defumada, huummm,, depois veio a segunda parte , purê com carne seca ..aff, e por terceiro um macarrão com queijo provolone e salame " Nossa que delícia" e pra fechar com chave de ouro, a sobremesa, com direito a velinhas, rsrs, pra comemorar o aniversário de Soraia, batemos palmas , foi tao legal. Tinha brigadeiro , beijinho, olho de sogra e cajuzinho, se não me engano, rsrs.
Nossa a noite fez muito frioo, coloquei todas roupas que eu tinha e entrei no saco, dai fico bom. rsrs.
Pena que de manhã estava tudo fechado, nublado e não deu pra curti o nascer do sol. Isto só me deixou com mais vontade de voltar lá, só pra ver o nascer do sol, imagine, deve ser fantastico.
O café da manhã foi arregado com nescau , biscoito de aveia, pão integral e pipoca, rsrs , coisa de Cover e Soraia.
Na volta foi tão rapido e tranquilo que até esquecemos dos perrengues, rsrs. e o mais legal de tudo que Deus cuidou da gente em todos momentos. Que este grupo e todos que foram, continue assim, unidos num só gosto, numa só vontade , e que possamos curtir e apreciar juntos o que Deus deixou, muitas e muitas vezes.

PP por Maicon

Tudo começou nos reunindo em frete ao Jardim botânico, eu Maicon Kaeber, João Zaparoli e Edinaldo Couto, lá esperamos e resto do pessoal Bruno Cesar, Bárbara Butyn e Gabi Giroto. Enquanto nos reuníamos pra tirar uma foto apareceu um rapaz que não era de Curitiba e queria ver geada, mas o tempo não estava propicio para o tal acontecimento, tiramos a foto e lembramos que não tínhamos pego o rádio comunicador, mas o Edinaldo entrou em contato com Daniel Fernandes e conseguiu um rádio, daí pra frente foi só alegria. Chegando à fazenda encontramos mais uns amigos reunidos onde tiramos mais fotos a final de contas não são todas as vezes que encontramos tanta gente boa reunidos com um só propósito, subir a montanha. O começo da caminha é sempre árdua e cansativa até que o corpo acostume demora um pouco, mas com paciência e perseverança todos nos conseguimos, e sem contar que o primeiro trecho da trilha de escadas leva alguns a pensar, o que eu estou fazendo aqui.
No meio do caminho vimos o fato acontecer, onde encontramos dois rapazes encostados na pedra pensando em desistir isso que não tínhamos nem chego ao Getúlio ainda, eram de Santa Catarina o Murilo e o João, ali trocamos uma ideia de como seria a trilha, então eles resolveram seguir com a gente. Próxima parada Getúlio, ali começamos a ter noção de qual bonito é a região vendo a represa do Capivari e algumas das montanhas ao nosso redor, como o Ferraria,Taipabuçu, Caratuva e Itapiroca. Dali demos sequência sentido Pico Paraná, a cada 10 metros andados era uma foto e não poderia ser diferente o tempo bom clima agradável e maioria a primeira vez sentido a montanha mais alta da região sul brasileira. Após um bom tempo de caminha, contornando o Caratuva em meio às raízes eis que a parecem eles Ibitirati, União e Pico Paraná formando uma incrível paisagem de tirar o fôlego, isso foi uma injeção de animo para todos nós, continuando a descida até chegar à última parada com água em abundância, lá enchemos nossas garrafas e cantis, comemos uns sanduíches e demos sequência à caminhada. Passando pelo A1 nos veio a preocupação se teríamos um bom lugar para descansar no A2, pois não tínhamos ideia de quantas pessoas havia subido o Pico Paraná naquele dia, mas decidimos seguir em frete, após passar pelas escadinhas de grampo umas das piores partes da subida o ritmo ficou mais lento, mas o descanso estava por vir. Chegando ao A2 vimos ótimos lugares para aramar nossas barracas, pois a maioria das pessoas que subiram estavam em grupos grandes e queriam ficar próximos unas aos outros, sobrando assim excelentes lugares. Após acampamento aramado resolvemos fazer um ataque ao cume já era tarde pegamos nossas lanternas e decidimos ir em frente, o grupo todo. Após um período de subida uma parte do grupo resolveu ficar e outros foram em frente. Logo após a descida retornando ao A2 começamos a preparar o jantar, uma deliciosa macarronada com calabresa acompanhada de champignon com direito a queijo ralado, é estava bom tenho que admitir, quando de repente uma incrível e inesperada labareda de fogo surge próxima a nós, foi um susto só e uma correria muito grande, alguns gritos e muita gente desesperada, é meus amigos uma barraca pegou fogo e em menos de 3 minutos a única coisa que sobrou foram as varetas. Uma coisa aquelas pessoas aprenderam, nunca mais fazer comida próximo de mais da barraca. Após o susto ai sim, apreciamos o que apelidamos humildemente de o melhor macarrão da montanha. Às 21h00 programamos o show de luzes nos cumes das montanhas, onde conseguimos nos comunicar com os grupos que estavam no Caratuva, Ferraria e Tucum. Logo após todos fomos dormir para acordar cedo e ver o nascer do sol no horizonte distante. Acordando no dia seguinte às 5h00 da manhã a única coisa que podíamos ver era o que estava a 5 metros de distância e mais nada, uma intensa neblina e uma fina garoa nos fez desistir de fazer um novo ataque para aquele dia, sendo assim, o que nos restou foi voltar a dormir. Às 8h00 estávamos em pé novamente e desmontando acampamento para retornar, a volta foi mais tranquila e demorada, afinal de contas todos cansados e molhados, mas de alma lavada com aquele gostinho de quero mais. Valeu AMC as amizades que criamos nas montanhas são douradoras e verdadeiras de pessoas apaixonadas pela natureza e que querem preservar, pois sabem dos riscos que corremos com sua destruição.

Tucum por Getúlio

Desde 2002 a AMC – Associação Montanhistas de Cristo desenvolve o “Projeto 5 Cumes”, que consiste em enviar num mesmo fim de semana 5 grupos de montanhistas aos cumes de 5 das maiores montanhas da Serra do Ibitiraquire (o “Himalaia paranaense”, segundo Henrique Paulo Schmidlin, o “Vitamina”, lenda vida do montanhismo no Paraná). As montanhas escolhidas para o projeto sáo: Ferraria (1745 m), Caratuva (1850 m), Pico Paraná (1877 m), Tucum (1736 m) e Ciririca (1760 m). O critério de escolha, além da altitude levou em consideração a possibilidade de comunicação visual entre os cumes, pois cada equipe leva rádios HT e comunica-se com as demais também através de sinais de luz com as lanternas.
Este ano (2012), nos dias 14 e 15 de julho foi realizada a 10ª edição desde evento. Novamente 5 equipes subiram as 5 montanhas citadas e estabeleceram seus acampamentos, mantendo contato visual e rádio com as demais equipes nos outros cumes.
Nesta, que foi a minha primeira participação numa edição deste evento, fiquei encarregado de guiar o “Grupo Tucum”, que como o nome já indica, subiria o Monte Tucum (1736 m), na porção centro-sul da Serra do Ibitiraquire, montanha da qual se tem uma vista espetacular de praticamente toda a cadeia do Ibitiraquire. Em nosso grupo, inicialmente 6 integrantes: eu, Daniel, Eder, Rosane, Maurício e Ana.
O combinado era sair o mais cedo possível de Curitiba para iniciar a caminhada cedo e sem pressa galgar a subida até o Tucum, cujo caminho atravessa ainda o cume do Monte Camapuã (1706 m). Como o Eder e a Rosane são fotógrafos profissionais e soube que o Maurício também, combinamos de fazer um workshop fotográfico na montanha, pois como a trilha até lá não é difícil, poderíamos transportar nossos equipamentos mais pesados, como câmeras DSLR, lentes e tripés, além da tralha normal de trilha e acampamento.
Saímos do ponto de encontro no trevo do Atuba às 6:45h em duas viaturas com destino à Fazenda da Bolinha, ponto de partida para a trilha do Tucum e outros morros da região centro-sul do Ibitiraquire, como o Ciririca e Cerro Verde. No caminho fomos brindados com belas vistas das montanhas do Ibitiraquire, nos dando o prelúdio de que o dia prometia muitas imagens bacanas. Na fazenda encontramos o estacionamento lotado, vários carros, alguns deles conhecidos, posto que na véspera (sexta-feira) parte do “Grupo Ciririca” iniciou a trilha “por cima” até aquela montanha. No entanto a quantidade de veículos nos fazia pressupor que haveria grande movimento na trilha. Logo que saíamos dos veículos com as mochilas para iniciar a caminhada topamos com o Luis Delfrate, líder do “Grupo Ciririca – por baixo”, também chegando com mais 2 companheiros. Cumprimentos o pequeno grupo e iniciamos a trilha, cerca de 8:10h. Com o tempo ainda fechado e a mata densa a luminosidade não era das mais favoráveis para fotos, no entanto íamos parando com freqüência para registrar qualquer detalhe digno de menção ao longo do caminho: pássaros, bambuzais, árvores, o rio e as pedras, etc. Tudo foi devidamente devassado fotograficamente.
Logo o “Grupo Ciririca – por baixo” nos ultrapassa, especialmente por que teriam que andar bastante (bem mais do que nós) até o seu destino e por que íamos bem tranqüilos. Logo depois encontramos na trilha, voltando prá fazenda, o nosso companheiro de AMC Rafael, que integrava o “Grupo Ciririca – por cima” mas que havia se sentido mal e decidira ficar no Tucum (onde seu grupamento havia pernoitado de sexta para sábado, a caminho do Ciririca – via Cerro Verde). Ele voltava para pegar outra barraca deixada no carro, já que a outra o seu grupo levara consigo ao Ciririca. Combinamos que ele retornaria e nos encontraria lá em cima. Com cerca de 2:30h de caminhada atingíamos a bifurcação das trilhas – Ciririca à frente, Tucum à esquerda e logo galgávamos a subida entre o Pedra Branca do Ibitiraquire e o Camapuã. Chegamos no platô de pedra pouco depois do meio dia e ali fizemos uma longa pausa para descanso e almoço. Deu até para tirar um cochilo sobre a pedra, já que o sol estava ótimo para “lagartear”.
Com mais de 45 minutos parados ali, iniciamos a subida da famosa rampa do Camapuã, famosa por ser uma subidinha em aderência na rocha, bem tranqüila sob o ponto de vista técnico, mas beeem cansativa no aspecto físico e, antes que digam que estamos fora de forma (o que, aliás, é verdade! Rsrs!) todos ali reclamam. A rampa parece não ter mais fim, quando se pensa que ela terminou, eis que surge um pequeno “ombro” e a rampa continua em direção ao céu... Rsrs!
Vencida a bendita rampinha, cerca de 14:30h aportamos no cume do Camapuã com uma vista espetacular de 360º em volta. Visual limpo para todos os cumes da região, litoral do Paraná e Curitiba. Sacamos as câmeras e tripés e começamos uma longa sessão de fotografia ao ar livre. Ali rolaram também os primeiros contatos por rádio com os outros grupos, em especial os Grupos Ciririca e PP. Caratuva e Ferraria ainda estavam em silêncio. Logo passa por nós o Rafael, com sua carga, rumo ao Tucum. Iria na frente preparar o acampamento.
Uma hora fotografando sobre o Camapuã. Belíssimas fotos, mas o nosso tempo ali acabava. Era hora de seguir caminho até o Tucum, logo em frente, vencendo o vale entre ambos e ainda coletar água para a noite. Começamos a descer o vale e encontramos um grande grupo de pessoas (12?) retornando. A descida nas pedras e trilha enlameada estava bem chata, escorregadia, mesmo com o bastão, exigindo em alguns trechos o uso do “quinto apoio”. Subindo agora a encosta do Tucum, coletamos água no riachinho abaixo da Pedra do Urubu e seguimos pela trilha até o seu cume, atingindo-o às 17h, um verdadeiro recorde de tempo (ao contrário). Rsrs! Quase 9h de subida!
Lá no alto, a primeira prioridade foi captar as imagens do magnífico pôr do sol que se formava para depois armar acampamento. Nesse ínterim fiz contato por rádio com a retaguarda do “Grupo Ferraria” (Turquinho e Fill), que se atrasara demais e estava distanciada do grupo, meio perdida perto do Taipabuçu. O vento já nos castigava e o frio era intenso mesmo antes do sol se pôr. Resolvemos montar nossas barracas enquanto os dois companheiros da retaguarda do “Grupo Ferraria” decidiram acampar no cume do Taipabuçu, fazendo com que na verdade tivéssemos um “6 Cumes”. Com o escuro o frio e o vento só pioraram. Às 20:30 h o termômetro digital de máxima e mínima que levei registrava já 3,5ºC de mínima até aquele momento...
Jantamos maravilhosamente bem com a já consagrada polenta campeira no cardápio principal, regada a um delicioso vinho tinto de colônia levado pelo Eder. Prato simples, rápido e nutritivo, ideal para esquentar e repor as energias depois de um dia de subida à montanha. Refeitos após o jantar, passamos a nos dedicar às conversas no rádio com as demais equipes e às fotos noturnas. Teve de tudo: exposição longa, “light painting”, fotos de céu. As montanhas da região estavam quase todas iluminadas: víamos luzes no topo do Ciririca, Itapipiroca, PP, Caratuva, Taipabuçu e Ferraria. Pelo rádio ficamos sabendo que uma barraca no A2 do PP pegara fogo e chegou a ameaçar outras barracas próximas (o A2 estava lotado). Soubemos ainda que no Ciririca havia cerca de 30 pessoas (superlotado) e que o “Grupo Ferraria” havia chegado bem e montado acampamento já no escuro (19h). Também que se viam luzes de lanterna na base do Ferraria, subindo a trilha pela face leste. Porém, a informação mais incrível da noite foi o pedido de noivado ocorrido no alto de uma das placas do Ciririca, onde nosso companheiro Wilson pedira em casamento nossa companheira Hadassa! Haja romantismo na adrenalina! A menina quase caiu do alto da placa, tamanha a emoção! Rsrs!
Depois de tantas emoções o frio nos pegou e, junto com o cansaço acumulado, nos empurrou para dentro de nossas barracas e para dentro de nossos sacos de dormir. Logo nosso acampamento era dominado por algumas motosserras. Rsrs!
Foi uma ótima noite de sono, interrompida apenas uma vez, cerca de 4h da matina com o barulho do vento batendo mais forte na barraca nova. Como tudo estava aparentemente em ordem, nem saí da barraca. Fui ver de manhã e percebi que um dos espeques espetado em solo pedregoso havia soltado, fazendo com que o sobreteto, frouxo, começasse a “panear”. Quando saí da barraca, cedo, o visual era nulo. Tudo encoberto por uma densa neblina. Mal se enxergava 20m à frente. Esticamos um pouco mais o sono, esperando melhora nas condições metereológicas, sem sucesso. Tomamos café da manhã em meio a uma cerração densa, impregnada de umidade que aderia à nossas roupas. Destaque aqui para a Ana, mãe do Maurício, parceiraça de caminhada em grande forma que nos preparou um excelente café com leite condensado e pão com calabresa acebolada frita... Huuummm!
Ainda esperamos um tempo, conversando, quando encontramos, de passagem por ali, o “Feijoada” com seu filho, a caminho do Cerro Verde. Pararam para conversar conosco e ponderaram se fariam ou não o percurso até o Cerro Verde com aquele tempo. Acabaram desistindo. Nós iniciamos a faina de desmontar acampamento e arrumar as mochilas abaixo de uma fina garoa.
Cerca de 11h já descíamos a encosta do Tucum rumo ao Camapuã todos encapotados de frio e, cerca de 13h já avançávamos na descida da rampa do Camapuã, bem complicada com tudo molhado como estava. Até aqui nenhum tombo. O tempo piorava a cada minuto e a impressão que nos restava era de que teríamos chuva forte a qualquer instante. Atingida a pedra do almoço dividimos o grupo em dois para retornar a partir dali, tendo em vista que o Maurício e Ana tinham pressa de voltar devido à sua “viagem” até Araucária. Eu e o Daniel ficamos na retaguarda, andando no nosso ritmo, pouco mais lento. Na caminhada pelo mato, no entremeado de bambus e galhos retorcidos que caracteriza a trilha, alguns escorregões e tombos foram inevitáveis, assim como a lama que se formou na trilha, que em alguns trechos se confundia até mesmo com o rio. Assim progredimos com alguns percalços, sendo o meu maior incômodo a bolsa com a câmera fotográfica DSLR à tiracolo... Em vários momentos me atrapalhou e enroscou no mato. Vá bene!
Chegamos na fazenda às 16:20h tendo encontrado no retorno novamente com o Luís e seu destacamento do “Grupo Ciririca”. Já na fazenda encontramos também com Cauê e Zeca, que aguardavam outros integrantes do “Grupo Ciririca”, também dividido para a descida. Na chegada tratamos de trocar de roupa e guardar as tralhas no jipe enquanto esperávamos o restante do pessoal. Os nossos companheiros Eder, Rosane, Maurício e Ana já haviam partido poucos minutos antes. Quando chegaram o Wilson e a Hadassa os cumprimentamos e tocamos para o Posto Tio Doca, adiante pela BR-116, para o encontro de confraternização final entre os grupos dos 5 cumes. Lá, no restaurante, encontramos os amigos com quem horas antes falávamos pelo rádio nas montanhas. Encontramos também o amigo Mageta e outros dois companheiros de Maringá, que haviam se juntado ao grupo do Ferraria.
Após os momentos de descontração e confraternização no restaurante do posto, com direito a muita chuleta com polenta e bolo dos aniversariantes da semana (Thomas e Soraia), nos despedimos de todos e pegamos a estrada abaixo de chuva rumo à Curitiba. Mais uma missão cumprida!

CONTINUA...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A conquista do Olimpo 133 anos depois...


Os primeiros registros de escaladas às culminâncias tupiniquins datam do início do século 19, com ascensões à Pedra da Gávea e cumes da Serra da Carioca e Maciço da Tijuca, na sua maioria realizados pelos produtores de café. Em 1856 José Franklin Massena subiu parte do Agulhas Negras e em 1817 o Pão de Açúcar foi escalado por uma senhora inglesa e outras duas pessoas que teriam encravado a bandeira da Inglaterra no seu cume. Isso teria provocado uma turma de estudantes da Escola Militar que repetiu a façanha tremulando a bandeira nacional.
O que se pode considerar a primeira ascensão "montanhística" do país aconteceu em 21 de agosto de 1879, na Serra do Mar paranaense. Joaquim Olímpio de Miranda organizou uma equipe com o objetivo claro e determinado de atingir o que era então considerado o ponto mais alto da região, o Marumbi. Esta foi certamente a primeira equipe de montanhistas do país. O cume do conjunto Marumbi foi chamado de Olimpo, em homenagem ao conquistador.
Para marcar e comemorar a data, montanhistas e grupos ligados a montanha resolveram fazer alguma atividade na montanha neste final de semana. Teve pedalada, pessoal que desceu a Itupava, gente que subiu o Rochedinho, o Olimpo, etc...  A ideia é que nos próximos anos isso se repita, com ações coordenadas entre todos que amam a “Montanha Azul”.
Nós da AMC (Associação Montanhistas de Cristo) fomos sábado, 19 de agosto de 2012 até o cume do Olimpo para comemorar os 133 anos da primeira ascensão.
Saímos de Curitiba bem cedo, 5:45 hs e fomos direto para eng. Langue em dois jipes e sete pessoas: Otávio, Natália, Cleber, Matias, Thomas, Getúlio e Heliton.

Começamos a subida na Estação Marumbi 8:10 hs, chegando ao cume 12:45 hs. O tempo estava fechado, quente e seco. Por um lado a falta do sol foi um alívio ao calor, mas faltou o visual do pico. Desculpa para voltar em breve... lá encontramos o Turquinho, conhecido da galera.











Ficamos no cume até as 14:00hs, deu tempo pra descansar, almoçar, assinar o livro de cume e alguns até tiraram uma soneca.
Nossa ideia inicial era fazer “o conjunto”, ou seja, subir a trilha frontal (branca) e descer pela noroeste (vermelha), mas nossa demora na subida e a falta de visual nos fez mudar de ideia e acabamos voltamos pela frontal mesmo.





A volta também foi lenta, acabamos chegando à estação apenas 20:00 hs, já com as lanternas ligadas.
Foi uma caminhada desgastante (é, estou ficando velho...), mas muito gratificante, fazia mais de 20 anos da minha última e única subida ao Olimpo, fiquei muito satisfeito em ter conquistado esta montanha novamente tanto tempo depois... 133 anos depois...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Manutenção na Trilha do Anahngava

A Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) possui um programa chamado Programa Adote uma Montanha (PAM), aonde um clube de montanhismo, ou entidade ligada a área, pode adotar uma trilha e manter sua manutenção. limpeza, etc...


Através deste programa a Associação Montanhistas de Cristo adotou a trilha do Anhangava, e regularmente  executa ações de limpeza e conservação, extração de pinus e outras exóticas invasoras, contenção de erosão, etc...
Está programado para dia dia 22/9/12 o próximo mutirão de limpeza e conservação no Anhangava, aonde iremos limpar as pichações feitas recentemente, extrair pinus e conter erosões.
Todos estão convocados para este trabalho voluntário, inclusive quem não participa do grupo. Caso tenham interesse mandem um e-mail para otavio4x4@gmail.com que passarei mais detalhes.
Segue um vídeo com os últimos trabalhos executados, lembrando que a Federação Paranaense de Montanhismo (FEPAM) cuida da trilha da Asa Delta, em  conjunto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), pois é através desta trilha que chega-se ao local da famosa missa de 1º de maio, celebrada todos os anos na montanha.